15 ANOS A INFORMAR

A propósito do Jornal UniverCidade

26 de Junho de 2012

Fundador com o António Teimo do Jornal UniverCidade (enquanto responsáveis pelo sector informativo da AAUAv, na direção de 1997) venho falar de alguns "(por)menores" do projeto que, já faz 15 anos. Não falarei longamente de jornalismo porque o Jornal UniverCidade não foi criado com o intuito de ser um “Jornal" pese, pela sua regularidade e estar umbilicalmente associado ao Diário de Aveiro, ter conseguido institucionalmente esse estatuto.
Tentarei ser breve para explicar como foi criado este projeto de intervenção estudantil na sua óbvia relação com a Universidade e na menos percetível tentativa de relação com a própria Cidade (e região) de Aveiro.
O projeto foi pensado e preparado em campanha para as eleições da Associação Académica, na lista encabeçada por Ângelo Ferreira, lista que viria a ganhar as eleições com mais de 80% dos votos, e a primeira negociação ocorreu no Diário de Aveiro (com a Dr.ª Manuela Ventura) no dia a seguir à nossa tomada de posse (5 de Dezembro de 1996). Diga-se, e em verdade, feita a seguir a urna direta passada no Bar da Associação (o mítico BA). No dia 31 de Janeiro de 1997 saiu o n.°1 do UniverCidade. Pelo meio foi necessário arranjar patrocínios para comprar um computador e um scanner, aprender a trabalhar com o programa "quarkxpress" e ganhar a confiança dos Serviços de Relações Externas da Universidade e da própria Reitoria, entidades que desde primeiro momento apoiaram a criação de um meio de comunicação institucional da Associação Académica.
O nome foi proposto pela Susana Esteves (secretária da direção) e o projeto global foi apresentado por mim e pelo Rui Pedro Cardoso (tesoureiro) em Reunião de Direção, também como um projeto de financiamento ao orçamento que a AAUAv. penava. (diga-se posteriormente apoiado no projeto de campanha de descontos "Aveiro é Nosso").
A ligação dos dirigentes da associação ao UniverCidade, bem como dos núcleos e muitos estudantes (interessados) foi coisa natural. Em verdade, quer na Universidade de Aveiro, quer ao nível do movimento estudantil nacional, nunca tinha havido um projeto redatorial tão regular e estruturado, e com tão grande alcance, também fora da Academia (distribuído com o Diário de Aveiro), fatores vivamente reforçados/comprovados com este 15° aniversário e mais de cem números editados. Assim, em 4 anos (em que estive envolvido de forma muito direta) muitos contribuíram para que a estória se fosse construindo. De entre muitos outros, e restringindo-me apenas às quatro primeiras direções do jornal: António Teimo, Paulo Fontes e Paulo Barreira, Carlos Pedrosa, Filipe Lascasas e Marta Marinho, Ana Catarina Amaro, Ivo Prata e Inês Costa Lima.
Nestes quatro anos iniciais, onde foram publicadas cerca de 40 edições (uma delas completamente ficcionada — em meados do ano de 1999 face à fraca adesão dos estudantes às Reuniões Gerais de Alunos gerou-se o pânico com uma edição cujo título foi "Reunião Geral de Alunos pouco participada decide não realização da Semana Do Enterro"), preservou-se uma linha editorial coerente e os espaços de opinião e informação complementaram-se juntamente com a crítica e a intervenção estudantil na Universidade e na Cidade.
"E se eu gostasse muito de... escrever no UniverCidade?"

Vivi na "redação" do UniverCidade essa velha discussão do que deve ser o "jornalismo", questão, na minha modesta opinião, já resolvida pelo Hemingway: "o jornalismo é excelente para aprender, para se evoluir e ser bom nesse tipo de trabalho, e até, por assim dizer, pelo que se pode fazer pela sociedade". Esta conclusão, tanto mais é válida se estivermos a falar de "jornalismo", não profissional e associado a um projeto estudantil.

Eu não digo que queria ser "jornalista" ou "diretor" de um jornal universitário, até porque ninguém pode simplesmente dizer que o quer ser. Essa possibilidade surgiu pela força do conjunto de gente fantástica que se reuniu na Associação Académica (e que vai surgindo ciclicamente) para fazer um trabalho sério, em prol dos estudantes aveirenses, quer na sua Universidade quer na sua relação com a cidade de Aveiro. Isto, na década de 90, numa fase de crescimento/qualificação/afirmação nacional de ambos espaços sociais, que acreditávamos nós, serem possíveis de conciliar.
Este objetivo terá sido o único objetivo não concretizado. A cidade (alguma população e todo o poder político) não respeita a comunidade universitária aveirense e o estudante universitário aveirense (na sua grande maioria) não respeita a cidade nem a sua associação nem está disposto a trabalhar (ou pelo menos respeitar quem quer trabalhar) para gerar um sentimento de comunidade estudantil aveirense (salvo as devidas exceções).
Acredito, contudo, que ter-se mantido o projeto UniverCidade durante quinze anos - e talvez mantendo por mais outros quinze - este objetivo, por força da tradição (que temos o privilégio ter vindo a construir) será alcançado.
A "luta" com as palavras é/foi muito mais intensa. O UniverCidade deu-nos essa oportunidade. Se ainda podermos utilizar o humor (e a comunidade académica aveirense teve bons exemplos, "pré-contemporâneos" ao UniverCidade como "O Charme" ou "O Buraco" ou mesmo o "Eletrão") tanto melhor.
Eu tive o privilégio de fazer parte do núcleo duro que lançou o projeto UniverCidade. Como em muitos outros projetos, fomos arrojados, criticados, elogiados, mas sempre com o objetivo de tentar ultrapassar o efémero. E nós fizemos várias coisas dessa forma. Agora até parece fácil, mas nós fizemos o jornal UniverCidade a partir do nada.... Lembro-me perfeitamente em que, parte dos textos do primeiro número, foram escritos no único computador que existia na AAUAv.: um Mac dos inícios da década de 90. O jornal Universidade foi até um instrumento muito útil para a Associação Académica.

A "luta" com as palavras é/foi muito mais intensa. O UniverCidade deu-nos essa oportunidade. Se ainda podermos utilizar o humor (e a comunidade académica aveirense teve bons exemplos, "pré-contemporâneos" ao UniverCidade como "O Charme" ou "O Buraco" ou mesmo o "Eletrão") tanto melhor. Eu tive o privilégio de fazer parte do núcleo duro que lançou o projeto UniverCidade. Como em muitos outros projetos, fomos arrojados, criticados, elogiados, mas sempre com o objetivo de tentar ultrapassar o efémero. E nós fizemos várias coisas dessa forma. Agora até parece fácil, mas nós fizemos o jornal UniverCidade a partir do nada.... Lembro-me perfeitamente em que, parte dos textos do primeiro número, foram escritos no único computador que existia na AAUAv.: um Mac dos inícios da década de 90.

Tive muita sorte porque, também através do UniverCidade pude/podemos associar a atividade da Associação Académica a coisas realmente importantes como o processo de independência de Timor, muitas pequenas/grandes conquistas pedagógicas e de apoio social para os estudantes, dinamização da atividade dos núcleos e projeção do nome da Academia Aveirense.
Mas na verdade que gostava muito de fazer era escrever disparates na "Má letra"! E nisso o UniverCidade era um espaço privilegiado porque, na verdade, com a sátira mexia-se mais com os estudantes, com os "núcleos da carica", com a Reitoria, com os Serviços de Ação Social. Acho que na Câmara Municipal nunca fizemos mossa, tal era o desprezo a que estávamos vetados.
Como o distanciamento de já muitos anos traz uma proximidade e uma lucidez muito grande (apesar de continuar a ser leitor assíduo e não ser pessoa muito saudosista) posso afirmar que o Jornal UniverCidade nasceu para ser independente — até à própria direção da AAUAv. Nasceu para informar, concretizou-se com base na opinião de muitos colaboradores e ajudou a fazer crescer a Academia Aveirense.

Artur Castro

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univercidade@aauav.pt

Associação Académica da Universidade de Aveiro

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