Para Aveiro

Para Aveiro

Sou apaixonada por esta cidade à beira da ria plantada. Lembro o dia em que pela primeira vez pisei este chão e respirei este ar com sabor a sal: entrei no Campus e fascinaram-me todas estas árvores e estes espaços verdes que a povoam, estes ventos que nos fustigam diariamente, estas gaivotas doidas que rasgam os céus, esta luminosidade que nos faz andar de olhos semicerrados. E interiormente felicitei-me pela minha escolha. Depois foi a vez da cidade me seduzir com as suas casas antigas ( que, infelizmente, ninguém pode ou não quer restaurar). Sempre tive um gosto especial por gravatas e quando me disseram que o traje aveirense era diferente e as meninas usavam um laço, não gostei lá muito da ideia. No entanto, foi com grande orgulho que, quando chegou a minha vez de adquirir o traje, o mostrei aos meus amigos de Coimbra e lhes expliquei o que significavam os nós cosidos na lapela. Tenho de confessar que comecei a gostar de sermos diferentes e, quando na minha terra natal me perguntam pela queima, faço questão de esclarecer que a nossa semana académica se chama Semana do Enterro. A Academia Aveirense, digam o que disserem, tem uma tradição: pode ser recente mas, é por isso mesmo que temos o dever de a preservar e estimular e tenho muita pena que alguns estudantes desta Universidade se limitem a afirmar que não temos tradição académica e voltem as costas quando têm a oportunidade de a consolidar, começando, por exemplo, por tirar o traje do armário e usá-lo mais vezes. Penso sinceramente que devemos apostar na diferença e cimentar o costume de levar o morto a enterrar com as carpideiras vestidas de preto empunhando as velas (e usar o lençol branco como símbolo dos finalistas, nada de cartolas ou bengalinhas). A tradição não nasce nem permanece por si: lutemos nós por ela para que as gerações vindouras possam afirmá-la e orgulhar-se dela. O que devemos lamentar (e criticar) não é tanto a fragilidade da nossa tradição é, sobretudo, a falta de interesse e apoio manifestados pelos órgãos governamentais e empresariais desta cidade que não querem reconhecer o quanto fazemos por esta terra, o quanto lhe damos e o quanto a adoramos- sim porque é com carinho que dizemos que "Aveiro é nosso". Já era tempo de nos concederem o apoio que merecemos! Que tal ajudarem-nos mais activamente na realização dos eventos académicos que, no fundo, também beneficiam a cidade? Lamento profundamente que a Câmara Municipal desta cidade nos ignore completamente e se mantenha quase sempre à margem das acções que fazemos(como aconteceu aquando da manifestação pela segurança em Aveiro: nenhum membro responsável do executivo camarário se dignou aparecer). O panorama desta Academia poderia ser diferente se tivéssemos o seu apoio... Quero, por esta razão, deixar aqui o meu apelo a todos os habitantes de Aveiro e a todos os órgãos competentes: ajudem-nos a fortalecer esta Academia e, consequentemente, a desenvolver esta "Veneza Lusitana"; que com mais razão possamos cantar bem alto "Aveiro é nosso até morrer".
Cláudia Mineiro
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Associação Académica da Universidade de Aveiro

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