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A Floresta e os Incêndios: Causas, Consequências e Mudanças para o Futuro

Na sequência dos trágicos incêndios que ocorreram em junho e outubro, o Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro (UA) e a Associação Académica da Universidade de Aveiro entenderam organizar uma reflexão pública sobre o problema da floresta e dos incêndios, discutindo causas e consequências, bem como pistas para o futuro.
É importante sublinhar o papel da academia na reflexão com a sociedade sobre questões fundamentais que afetam e determinam o comportamento de todos os atores sociais, procurando dar esclarecimentos fundamentados em evidência científica que permitam aos decisores públicos tomarem decisões mais racionais e informadas e aos cidadãos terem comportamentos socialmente mais responsáveis. Para esta conversa pública foram desafiados os cidadãos a virem até à UA para ouvir e participar, o que resultou num auditório cheio e numa intensa discussão.
Para o painel de debate foram convidados quatro especialistas das áreas do ordenamento do território, desenvolvimento regional, florestas e do combate aos incêndios, um membro da comissão técnica independente e um autarca de um dos concelhos mais afetados. O ponto de partida desta discussão foi o Relatório da Comissão Técnica Independente criada para a análise dos incêndios que ocorreram entre 17 e 24 de junho de 2017, em particular as suas recomendações. (...)
O local onde as ignições ocorrem é uma das questões mais controversas. De acordo com a informação partilhada no debate, 85% das ocorrências desenvolvem-se num perímetro de 500 metros em torno das povoações, o que contraria a ideia, frequentemente transmitida, da sua ocorrência em locais distantes, no meio das matas.
Associado à questão do local da ignição, surge a da responsabilidade pelos incêndios, dividindo-se entre as causas artificiais e naturais. No que concerne às causas artificiais, foi referida a facilidade com que se atribui a responsabilidade a terceiros (os incendiários, sobretudo) quando na verdade são conhecidos comportamentos negligentes por parte do cidadão comum, nomeadamente na realização de queimadas, cuja realização não merece a mesma censura pública.
Foi reconhecido que só uma pequena parte da floresta é pública, estando mais de 90% da floresta na posse privada e sobretudo de pequenos proprietários. Cabe, naturalmente, ao Estado a obrigação de proteger e de prevenir, mas os proprietários privados têm o dever de cuidar, de limpar e de gerir, individual ou coletivamente. Ficou claro que a ação dos proprietários está limitada pela baixa rentabilidade da floresta, o que exige a aposta em espécies e usos alternativos (...)
Existe uma tendência para mobilizar meios para atuar nas consequências, que são politicamente sensíveis e visíveis, em detrimento de uma ação nas causas, mais lenta nos resultados, mas mais eficaz. Essa mudança de foco exige da parte de todos uma responsabilidade acrescida, que se deve materializar no curto prazo na definição de estratégias inovadoras e concertadas que olhem para estes desafios como determinantes do futuro do território.
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Associação Académica da Universidade de Aveiro

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