Entrevista a Maria Helena Nazaré

Depois de oito anos à frente dos destinos da Universidade de Aveiro, Maria Helena Nazaré está de saída
Em entrevista à Revista Linhas, a Reitora faz um balanço de alguns dos principais momentos que marcaram os seus dois mandatos à frente desta instituição, como a adaptação a Bolonha: "É agora necessário continuar este processo de transformação, com um foco no próprio modelo de ensino, aprendizagem e nos processos de qualidade. Estou convicta de que a reestruturação realizada ainda precisa de mais uma fase de trabalho", diz.
Docente, investigadora, vice-reitora, vogal no Conselho de Administração no Porto de Aveiro, Diretora da Escola de Saúde da UA e Reitora. Qual dos cargos lhe deu maior satisfação?

Gostei e senti-me realizada enquanto fui docente e investigadora da Universidade e, obviamente, no cargo de Reitora. Foram atividades exercidas em alturas diferentes da minha vida, com exigências também distintas. Em todo o caso, o cargo de Reitora foi o que apresentou um conjunto maior de desafios. É certo que esses anos foram particularmente difíceis mas confesso que não fiquei surpreendida com o volume de trabalho, mas sim com o nível de ansiedade constante que representa exercer este cargo.

E enquanto Reitora, qual considera ter sido o maior desafio?

Foram imensos mas, desde logo, o grande desafio, permanente e constante, passa por avaliar corretamente e tomar a decisão certa, no sentido de ser aquela que melhor responde às necessidades da Universidade. Temos enfrentado nos últimos anos questões e conjunturas diversas, nomeadamente a mudança do enquadramento jurídico da Universidade. Esta decisão, tomada por unanimidade na Assembleia Estatutária, foi uma decisão preparada que envolveu uma tomada de posição por parte da Reitoria. Ninguém sabe exatamente o que esta opção envolve em termos jurídicos. Não foi fácil assumi-la mas estou convencida de que foi a opção correcta, que precisa, agora, de ser cuidadosamente acompanhada, especialmente porque é um assunto que nos obrigará, a todos, a aprender ao longo do tempo.

A UA tem, atualmente, todos os cursos adaptados a Bolonha - plano de reforma que visa uniformizar a estrutura dos currículos nos países europeus participantes - objetivo cumprido no decorrer deste mandato. Como decorreu este processo de transição para o novo modelo?

Este tem sido um processo particularmente exigente, uma vez que implicou a transformação de toda a oferta formativa de 1°, 2° e 3° ciclos, e a base matricial da UA obriga a uma grande interação entre todas as unidades envolvidas em cada programa de formação. Uma primeira fase, que consistiu na redefinição dos objetivos, dos conteúdos e da duração dos programas existentes decorreu bem. É agora necessário continuar este processo de transformação, com um foco no próprio modelo de ensino, aprendizagem e nos processos de qualidade. Estou convicta de que a reestruturação realizada ainda precisa de mais uma fase de trabalho. Falta avançarmos para uma nova reforma curricular, que venha reduzir o número de unidades curriculares por semestre, assim como verificar que conhecimentos deverão os alunos adquirir no 1° e no 2° ciclos. Considero ainda que falta adequarmos melhor a relação entre as competências necessárias e as unidades curriculares que os alunos têm que frequentar. É, portanto, necessário, mais uma vez, fazer uma reorganização curricular.

Entrevista a Maria Helena Nazaré
Bolonha preconiza um modelo de ensino e aprendizagem baseado no desenvolvimento das competências dos alunos. De que modo podem ser rentabilizadas essas competências?

Uma sociedade baseada no conhecimento, globalizada e em permanente transformação requer uma maior capacidade de aprendizagem, de utilização dos conhecimentos em diferentes situações, de autonomia e de comunicação com uma grande diversidade de interlocutores. O desenvolvimento destas capacidades inicia-se muito antes do ingresso no ensino superior e continua ao longo da vida. A etapa que decorre num ambiente universitário tem, contudo, características próprias, devendo estimular em especial a autonomia na aprendizagem, o aprofundamento e a integração de conhecimentos. Estes são alguns dos ingredientes para uma plena utilização dos saberes na transição para a vida adulta.

Este modelo dita, também, uma maior disponibilidade do corpo docente. É esta a realidade na academia aveirense?

A grande proximidade e facilidade de comunicação entre docentes e alunos é, tenho orgulho em dizê-lo, uma característica da nossa Universidade. É importante realçar que este modelo impõe novas responsabilidades não só aos docentes, mas também, e de modo claro, aos alunos. Trata-se de um percurso que tem que ser percorrido em conjunto.

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