Reitor
Manuel António Assunção - Reitor Universidade de Aveiro

Entrevista com o Reitor da Universidade de Aveiro

Manuel António Cotão de Assunção nasceu em Sousel, Portugal, em 1952. É licenciado em Física pela Universidade de Lisboa, docente, na qualidade de Professor Catedrático, do Departamento de Física da Universidade de Aveiro e esteve à conversa com a Matriz.
Após um caminho com vasta experiência de gestão universitária e conhecimento da UA, como membro de equipas de vários reitores, nomeadamente, Júlio Pedrosa, Isabel Alarcão e Helena Nazaré, quando decidiu ao certo ser Reitor? Sentia-se preparado?
Eu liderei um movimento ao Conselho Geral na altura e houve sempre na minha cabeça esta tentativa de distinguir, claramente, o que é o Conselho Geral, nas suas funções mais alargadas que englobam também o acompanhamento da ação do Reitor, e a questão estratégica, que tentei separar da questão da eleição do Reitor. O movimento pretendeu qualificar o Conselho Geral e foi nessa situação que eu me candidatei e encabecei este movimento.
A questão de ser Reitor foi uma consequência mais tarde. O movimento achou que eu era a pessoa indicada, sendo mais ou menos consensual, e foi aí que eu avancei. Obviamente que depois da experiência de ter trabalhado muito de perto com o Reitor Renato Araújo, porque fui Presidente do Conselho Pedagógico, e nessa qualidade também tive uma grande aprendizagem e experiência, portanto, depois destes anos todos, dizer que não se está preparado, é difícil. Estava com certeza preparado!
Como viveu esse processo?
Há uma grande diferença entre ser Reitor e Vice-reitor, isso é óbvio. Quando se é Reitor olha-se para trás e não há ninguém, enquanto que enquanto Vice-reitor ainda há o Reitor, e portanto, há aí uma diferença de responsabilização e um sentimento de maior solidão que não existe nas outras funções. Mas digamos que tudo correu com serenidade.
Contrastando com esta situação económica do nosso País, eis que bem perto, em 2016, assistimos à primeira conquista internacional da Seleção de Futebol de 11. Somos um país de verdadeiros CR7’s em todas as áreas? Acha que o país tem talento para além do Futebol?
(...) Eu acho que Portugal tem muito talento, definitivamente, não é só no futebol, quiçá agora no futebol está desequilibrado em relação aos outros desportos, mas no resto da cidade há muito talento, na música, nas artes e com certeza o Ensino Superior também tem feito um caminho belíssimo.
Formamos bons engenheiros, bons médicos, bons enfermeiros, bons profissionais em geral. Temos uma grande capacidade de adaptação, e portanto, trabalhamos na Noruega, trabalhamos em África, trabalhamos no Brasil, trabalhamos na China, trabalhamos onde é possível e eu acho que tem havido uma grande abertura à sociedade por parte das Universidades portuguesas de modo que, repito, o caminho feito é um caminho notável.
Agora, penso que há aqui algumas lacunas que importa continuar a ter em atenção. Por exemplo, há uma grande abertura à sociedade, penso que a sociedade ainda não está a tirar partido dessa abertura e da qualificação que temos conseguido levar a cabo. O facto de muitos dos nossos doutorados estarem, ainda, no sistema científico e tecnológico nacional, aliás, ter trazido alguma controvérsia, neste momento, na sociedade portuguesa, é um reflexo de que algo não está a correr bem porque os doutorados não são só para ficarem dentro das Universidades, dos estudos de investigação. É para ir para a sociedade em geral, é para ir para as empresas, para a indústria, para a saúde, para todos os setores da sociedade, para a administração pública, e portanto, ajudarem a qualificar esses setores, havendo aí um processo de osmose em termos de passar essa qualificação e essa qualidade para o meio exterior que é preciso resolver (...).
Manuel António Assunção
Como era o Manuel Assunção antes de entrar na Universidade?
Eu sou filho único e mudei muitas vezes de lugar, portanto desse ponto de vista a minha infância/adolescência foi marcada por essas amizades que eu constantemente perdia porque mudava de sítio.
Depois a minha adolescência propriamente dita foi passada entre Reguengos de Monsaraz e Évora e aí já quando me perguntam, sou um alentejano, toda a gente sabe, mas muito ecuménico, porque vivi em muitos sítios do Alentejo mas os lugares que me marcaram mais nesse período de crescimento, sem dúvida, o período do liceu que fiz em Évora e o período onde eu vivia em Reguengos de Monsaraz.
Era, essencialmente, um adolescente da minha época que gostava dos Beatles, gostava do Bob Dylan, tinha os cabelos compridos, tinha um conjunto de rock com quem me entretinha, tocava guitarra, vivíamos muito à volta das ideias do Maio de 68. O Maio de 68 aconteceu quando eu ainda tinha 15 anos, era um adolescente muito integrado no espírito da época.
Politicamente nunca teve vontade de ser candidato a nada, por ninguém?
Não, nunca tive grande interesse partidário. Efetivamente, ainda quando estudante, ajudei a fundar um partido, portanto dei o meu nome e apoiei aquelas assinaturas que eram precisas para se criar o partido mas nunca tive nenhuma atração, realmente, pela política partidária.
Sente-se uma pessoa realizada?
Não sei responder porque não sei o que é a realização! Sou uma pessoa inquieta por natureza, não gosto de repetições, não gosto de monotonias, de rotinas, para o bem e para o mal. Eu nunca tive grande sonhos, sempre gostei de viver o dia-a-dia, com certeza que tenho metas, mas nunca tive o sonho de ser isto ou ser aquilo e continua a acontecer, por isso, sim, desse um ponto de vista, estou tranquilo.
Mas claro, a contribuição para a "Felicidade Interna Bruta" continua e que não tem a ver com ser Reitor, mas sim com o facto do Ser, um Ser-humano!
Há uma mensagem que o Exmo. Reitor envia para os estudantes que reside na capacidade que todos nós temos, independentemente da área de estudo, de nos adaptarmos à função que iremos um dia exercer. Levou uma vida profissional, maioritariamente, ligada à gestão académica, no entanto, enquanto Reitor seguiu sempre uma visão muito ligada à investigação. Como comenta este facto?
Pois, não sei bem o que quer dizer com isso de uma visão ligada à investigação, mas se eu entendo e se entender assim é verdade, eu sempre entendi, eu sempre compreendi, sempre esteve na minha mente que a investigação é uma missão, mas é também um pilar central para o bom desempenho das outras missões, ou seja, o que caracteriza o Ensino Universitário é ele existir num ambiente de investigação, de criação de conhecimento novo. É isso que diferencia o Ensino Universitário de outros tipos de ensino. Se a investigação não for boa, se o ambiente da investigação não for bom não podemos ter um ambiente de ensino de qualidade, assim como, não podemos passar para a sociedade, falando na terceira missão, aquilo que não temos. É na medida do conhecimento novo que conseguimos produzir que vamos conseguir passar para a sociedade, transferir parte desse conhecimento.
Se a investigação não for de grande qualidade, e essa foi uma grande aposta desde o primeiro momento na Universidade. A Universidade de Aveiro sempre compreendeu que estando, aqui, a 60 km de Coimbra e a 60 km do Porto, mais ou menos, entalada desde o início, num certo momento o entalada era literalmente assim, até porque houve um Ministro que chegou a questionar o que fazia uma universidade aqui, exatamente neste sítio, portanto era um desafio enorme, e portanto, felizmente houve essa perceção de que era fundamental criarmos dinâmicas de investigação de qualidade para poder realmente situarmos melhor, ter o nosso papel e um papel que servisse o País (...).
Campus Solidário – Universidade de Aveiro

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