Suis terras in Alauario et salinas

Breve história sobre Aveiro e a sua ria!
Suis terras in Alcuario et Salinas (2)
Ano de 959, aquele em que se regista a mais antiga referência conhecida sobre o topónimo de Aveiro, altura em que a condessa Mumadona Dias decide doar, em testamento, toda a região ao mosteiro de Guimarães ("mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", Luís de Camões).
Nesta bonita cidade, corre uma das maravilhas da Natureza.
Apesar deste acidente geográfico, que abraça várias cidades do distrito de Aveiro, estar intimamente ligado às suas histórias, nem sempre coexistiu com elas. A Ria apenas começou a definir a sua actual identidade há cerca de mil anos. Antes disso, exigia no seu lugar uma enorme baía que banhava Ovar, Estarreja, Aveiro, Mira e Tocha, fruto da configuração costeira da época.
Com o avançar dos tempos, e aliando o desaguar de alguns cursos fluviais às correntes atlânticas e a fenómenos de deposição de detritos, começa a formar-se uma "língua de areia", que se estende desde Ovar. As cidades costeiras (do distrito em vez de aveirenses) aveirenses viveram épocas de grande prosperidade, visto que se viam na presença de uma marina que servia de porto comercial, tendo sido entreposto comercial de sal, vinho e bacalhau ao longo de séculos. Na verdade, os estrangeiros comerciantes na cidade tinham até direito a um bairro próprio, o bairro de Alboi. No entanto, quase todas as cidades veriam esse ciclo terminar, à medida que a extremidade da 'língua" se deslocava para sul, já que o acesso aos seus portos se tornava mais complicado.
Para que fique claro, obviamente, o transporte marítimo era um dos principais meios utilizados nega zona. Entre os barcos tradicionais da Ria o Mercantel é aquele que tem maior envergadura, navegando com um ou dois magros, transportando quase tudo: pessoas, peixe, caulino, porcelana, minério de chumbo, sal, etc. Outra grande embarcação da Ria é o Moliceiro, nascida mais recentemente devido à necessidade de procurar algas e moliço nos baixios. A necessidade de baixar a sua borda e ao mesmo tempo sobreviver na ondulação das águas, deram à sua proa a bela forma que observamos, tendo as pinturas na sua proa e ré uma forte influência minhota. As Bateiras são as mais pequenas embarcações tradicionais e, ainda hoje, há centenas delas que continuam a sua tarefa na pesca, no transporte e no lazer.
Bem, continuando a história, no século XIII Aveiro é elevada à categoria de vila, tendo a povoação evoluído em torno da igreja principal - igreja de S. Miguel - destruída no século XIX dando lugar à actual Praça da República. Era já vila quando D. João I mandou cercar a cidade com muralhas, fortaleza destruída apenas no século XIX.
Entretanto, no século XVII o acesso ao litoral de Aveiro tornou-se quase impossível com o avanço da "língua", momento em que a cidade viveu uma das recessões mais profundas de que há memória. Este afastamento do oceano acarretou problemas de pobreza, salubridade o que originou uma elevada taxa de emigração.
Curiosamente, foi nesta fase de recessão que se construiu, em plena dominação filipina, um dos mais notáveis templos aveirenses: a igreja da Misericórdia.
Em 1759, D. José I eleva Aveiro a cidade e, em 1774, o Papa Clemente MV criou uma nova diocese com se-de em Aveiro.
No Século XIX o homem abriu novamente a Ria ao oceano, construindo uma barra artificial, voltando a região a beneficiar de um grande desenvolvimento.
Atualmente, a Ria de Aveiro estende-se de Ovar a Mira, tem pequena profundidade e nela desaguam vários cursos de água com destaque para o Vouga. Apresenta quatro braços principais - Ovar, Murtosa, Vagos e Mira - sendo polvilhada por várias ilhotas.
A Ria alberga uma diversidade de habitats, em torno dos quais se desenvolvem inúmeras espécies animais e vegetais (pessoalmente, gostava de ver as referenciadas lontras), e ainda hoje impulsiona as actividades piscatórias e o turismo aveirenses.
É por isso importante cuidar e preservar esta maravilha que tem lugar na bonita cidade de Aveiro, que nos acolhe.
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Associação Académica da Universidade de Aveiro

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