Um estatuto para o jornalismo académico

Decorreu a 6, 7 e 8 de abril, na cidade do Porto, o IV Encontro Nacional de Imprensa do Ensino Superior (ENIES), onde duas dezenas de publicações discutiram rumos e dificuldades inerentes ao exercício de jornalismo académico
Para além de vários painéis de discussão e tertúlias, onde intervieram vários oradores das diversas entidades presentes, assim como especialistas nas matérias a debater, do ENIES saiu aprovada uma proposta de estatuto de imprensa do ensino superior.
Deste ENIES saiu aprovada uma proposta de estatuto de imprensa estudantil para o ensino superior, a solicitação ao sindicato de jornalistas de um cartão específico de identificação de jornalista estudantil e uma eventual distinção atribuída aos melhores trabalhos realizados nesta área.
Alfredo Maia, do sindicato dos jornalistas, defendeu, na sua intervenção, que o jornalismo universitário é um espaço de oportunidade para a experimentação. Permite aos estudantes de jornalismo a defesa dos seus interesses sócio-profissionais e evita o desemprego e a precariedade das condições de trabalho. Por outro lado, a imprensa universitária é urna espécie de laboratório: o património de estudantes de proveniências diversas torna-a uma espécie de informação alternativa. Os estudantes que participam neste tipo de publicações normalmente não encontram espaço na imprensa convencional e têm neste tipo de imprensa o direito de expressão.
A imprensa estudantil são todas as publicações periódicas sem fins lucrativos que têm como principais objetivos promover a informação respeitante à instituição de ensino, como parte integrante da informação nacional, regional e local, nas suas múltiplas facetas, contribuir para o desenvolvimento da cultura e identidade académica através do conhecimento e compreensão do ambiente social, político, económico e cultural da instituição de ensino, bem como para a promoção das suas potencialidades de desenvolvimento, assegurar às comunidades da instituição de ensino e a outras o fácil acesso à informação, cooperar no sentido de enriquecer o nível cultural e informativo, estimular a criatividade dos estudantes, o desenvolver das suas capacidades, constituindo desta maneira uma experiência útil para a sua formação pessoal e profissional, e a divulgação de trabalhos científicos, artísticos, jornalísticos e de teor cultural.
O artigo 12.° desta proposta refere-se ao estatuto de jornalista estudante. Prevê-se serem considerados jornalistas estudantes todos os estudantes que exerçam, de forma efetiva e permanente, ainda que não remunerada, funções nas publicações universitárias. A criação do estatuto para a imprensa estudantil do ensino Superior será assim, uma forma de institucionalizar este tipo de imprensa, regularizar o papel do jornalista-estudante, e reconhecer este tipo de atividade corno formativa e relevante curricularmente, à semelhança do que já acontece noutros países.
um estatuto para o jornalismo
Os jornalistas estudantes possuirão, se a proposta for aprovada, um documento legal de identificação renovável anualmente para terem acesso normal às fontes de informação, sem restrições.

O jornal pode servir a grande parte dos estudantes do ensino superior como uma opção incontornável de expressão num sentido efetivamente extra-curricular, bem como também como forma ativa de participação num sistema nas suas mais diversas vertentes, sejam elas redatorial, informática ou gráfica.

É assim que José Peixe começa a sua intervenção em tertúlia no café Piolho. A distinção baseia-se no princípio de que a ética é "uma fundamentação coletiva do sistema de valores" enquanto a deontologia uma "imposição de valores positivos". Na mesa de um café portuense repleto de gente em sexta-feira, esta foi uma das resposta ao mote "o jornalismo e a ética".

O jornalista acrescenta ainda da necessidade de averiguar "os processos que garantam a liberdade", e "livre acesso ao uso da palavra e som" de modo a "contrariar a violência e tirania". À questão levantada justifica. A existência de códigos de modo a impedir deslizes graves de jornalistas, como peça fundamental de combate ao "telelixo" proporcionado pelo "apocalipse mediático" que atravessa o país.
José Lechner, sociólogo, defende que o mais importante será submeter "os proprietários dos jornais aos códigos deontológicos.” “Os jornalistas não têm controlo da sua própria profissão, porque no seio das empresas estes não têm independência absoluta, estão dependentes de interesses económicos que não coincidem com os critérios da profissão". E conclui "perante isto, o jornalista tem apenas duas alternativas: a demissão ou a submissão".
"O código deontológico do jornalista é um conjunto de votos piedosos, não vinculativo, e impróprio para consumo e os jornalistas não têm controle das empresas. A missão social da informação passa por dizer quem engana quem. Ora quem é que injeta no corpo social informação envenenada? São a rádio, os jornais e a televisão." Tudo isto porque existe, hoje em dia, uma procura desenfreada do lucro. E o jornalista acaba, na maior parte dos casos, por não cumprir a função social que seria suposto.

Lechner afirma que a escrita jornalística é radicalmente diferente das outras, dada a sua especificidade. O jornalista tem o poder de acesso aos media e, por isso, consegue formar a opinião pública. O poder dos media é justamente este: poder chegar a muita gente.

Depois de Lechner, Orlando Raimundo, diretor do Expresso, fala sobre o que é o mundo da comunicação de massas e refere-se especificamente a Portugal quanto a esta questão. “Somos o país do Sérgio Godinho, mas também somos o país do Zé Cabra.” Avança que em Portugal existem vários tipos de jornalistas e de jornais e que se verifica uma forte tendência de imprensa popular, que só é possível porque mais de metade da população portuguesa é iletrada, e que não há qualquer risco para a liberdade de imprensa em Portugal. “Salazar dizia que havia liberdade de imprensa, porque as pessoas podiam comprar os jornais que quisessem.” E num país pimba, a imprensa popular tem maior tiragem do que a imprensa séria, porque o país é de diminutivos. “O capitalismo e a social democracia não conseguiram esconder esta realidade”, conclui.

Festival Carmina Festana este sábado, 4 de Agosto, no GrETUA
Festival Carmina Festana este sábado, 4 de Agosto, no GrETUACom o Verão a chegar e a subir as temperaturas, aparece...
Candidatura a alojamento universitário para o ano letivo 2018/2019

Os estudantes (do 1º, 2º ciclo, mestrado integrado e TESP) da Universidade de Aveiro que pretendam candidatar-se ou recandidatar-se a alojamento universitário para o ano letivo de 2018/2019 têm de preencher o formulário de candidatura a alojamento a partir do dia 25 de junho.

Candidatura a bolsas de estudo para o ano letivo 2018/2019

Os estudantes (do 1º, 2º ciclo e mestrado integrado) da Universidade de Aveiro que pretendam candidatar-se ou recandidatar-se a bolsa de estudo, para o ano letivo de 2018/19, deverão fazê-lo no período de 25 de junho a 30 de setembro.

Sunset Hackathon 2018: criar produtos em 72 horas

A segunda edição do Sunset Hackathon vai decorrer no Cais Criativo da Costa Nova, em Ílhavo, entre 7 a 9 de setembro. Os participantes são convidados a desenvolver produtos num contexto de colaboração e ambiente informal.

footer_final-06
footer-07

univercidade@aauav.pt

Associação Académica da Universidade de Aveiro

Scroll Up