Um olhar sobre a UA - Experiência de um Aluno

Primeiro contacto com a UA
Antes mesmo de chegar à universidade, o problema foi mesmo dar com a estrada para a UA. Na nacional 109, sentido Ílhavo-Aveiro na altura havia uma pequena seta a indicar o sentido de praias. Lá pensei eu, na praia já eu passei todo o verão, agora é universidade (mais tarde lá descobri que teria mesmo de ir para as praias para chegar a UA). Sabem, é que eu ainda sou do tempo (dando uso a esta belas expressão) em que a rotunda do Jumbo era um projecto futurista e o próprio Jumbo eram uns traços em papel na gaveta de alguém, aquela zona era um belo matagal. Bem, mas deixemos as alterações da cidade.
Chegados à UA, paramos no parque de estacionamento onde actualmente fica o jardim da nova reitoria, e dei logo de caras com o "fosso". Pois é, eu ainda sou do tempo do "fosso" - descrito aos caloiros como "o temível fosso"- por azar este foi o meu primeiro contacto com a UA. Perguntam vocês, mas que raio é o "temível fosso"? Ora, antes de existir a nova reitoria havia um enorme buraco naquela zona por onde normalmente a matilha de cães que frequentava a Universidade repousava no intervalo das aulas, sim, porque eles eram frequentadores assíduos de algumas aulas, especialmente das aulas nos anfiteatros do DET e CIFOP. Esse era o local destinado à nossa estimada matilha e ao seu temível líder, o "Tripé", mas isto à excepção de um dia por ano (Praxe Geral) em que todos os caloiros iam lá parar abaixo. Já percebem agora de onde vem a expressão "temível fosso". Bem, perante esta visão de fosso e matagal circundante pensei logo, mas onde raio é que me vim meter. Esse belo dia foi passado nas matrículas na reitoria (actual ESSUA), a iludir veteranos trajados à porta da reitoria, desejando que não me apanhassem e me tornassem em mais um mártir igual a alguns que já se arrastavam e rebolavam pela relva. Acabei o dia feliz da vida no CEFASI ao constatar que no meu horário de 1º ano não tinha aulas à sexta, ingénuo da vida (ainda não talhado pelas lides académicas) lá pensei que teria mais tempo para estudar ou vir para casa mais cedo ao fim de semana. Mas antes de dar com o CEFASI dei umas voltas ao Dep. Matemática por pensar que esse era o CEFASI, (na altura ainda não davam mapas da UA quando nos inscrevíamos).
Passagem por Aveiro
Quanto aos anos passados em Aveiro faço um balanço bastante positivo deles. Há todo um conjunto de envolventes que contribuem para a nossa formação pessoal, há as amizades (e não só) que se geram, as histórias que permanecem, mais nocturnas do que diurnas é bem verdade (perdoem-me os lesados por este comentário, mas realmente lembro-me melhor de muitas noites do que de algumas matérias dadas nas aulas), agora é melhor mudar de assunto porque já estou a ficar nostálgico.
À pergunta do que mais gostei na passagem pela UA, responderia: alguns momentos passados na companhia de amigos e alguns acontecimentos mais inéditos, próprios do convívio e espírito académico, como algumas situações fortuitas pitorescas ou hilariantes, e claro, as semanas académicas. Quanto ao menos bom, terão sido os meses desaparecidos em combate, numa guerra de trincheiras contra a papelada escrita com hieróglifos e símbolos (por vezes indecifráveis — acreditem) e livros. Períodos normalmente designados de períodos de exame. Então quando chegava a altura do verão, com o sol lá fora, a brilhar quase que se tornava injusto. E nessa altura que nos dá para limpar mais vezes a casa, passar mais tempo à janela, ou seja, arranjar várias desculpas para nos levantarmos da mesa de estudo com uma certa frequência. Quanto às mais valias, penso que a UA tem um espírito jovem e dinâmico. Ao longo de vários anos a UA foi pioneira ou envolveu-se em vários projectos com algum interesse e isso acaba por se repercutir no ensino e em projectos que acabarão por beneficiar os alunos. Por exemplo, o dinamismo ao nível da investigação permite ter uma série de instrumentos que acabam a ser usados em aulas laboratoriais, muitas vezes são técnicos que trabalham com eles, mas o facto de estarmos presentes dá-nos uma noção de como e quando podem ser usados, repercutindo-se mais tarde em conhecimento válido na vida profissional. Um exemplo recente foi o uso de um aparelho para identificação de iões metálicos que tive de usar numa fábrica na Suécia, do qual já possuía alguns conhecimentos, tendo de certa forma surpreendido algumas pessoas que o operavam. Já tinha visto um idêntico a funcionar numa experiência que efectuei durante o curso, se bem que um pouco mais antigo do que com que me deparei na tal fabrica. Penso que a UA nesse sentido está bem equipada, pelo menos ao nível do Dep. Química e Cerâmica e do Vidro, aqueles com que tive mais contacto a nível prático, pelo menos as aulas práticas não acabavam a meio por falta de material, como aconteceu a alguns amigos a estudarem em outras instituições.
Outra situação que me agradou na UA foi uma certa proximidade que é possível entre professor aluno, penso não ser uma exclusividade desta Universidade, mas é bem melhor do que o distanciamento imposto em Universidade mais clássicas, e do qual tanto ouvi alguns amigos meus (estudantes em outras universidades) queixarem-se.
Por todas estas vertentes e pelos contactos exteriores que tenho tido penso que a UA é uma universidade com bastante aceitação no exterior e olhada com uma certa admiração. Posso partilhar convosco uma situação vivida há uns meses, aquando da minha deslocação a um centro de investigação da industria papeleira portuguesa com urna delegação de pessoas de uma congénere sueca. Quando o director dessa unidade proferiu que a UA seria um dos melhores locais de mundo para avaliar a composição química de algumas espécies de madeira, não sei se será verdade ou não mas temos de sentir de certa forma algum orgulho ao ouvir isto.
Vida académica em Aveiro
Acho que se resume em 2 palavras: muitas saudades. Vá lá que os bares da praça já fecham mais tarde, para minha surpresa, mas por favor, reabram o BA, (antigo bar da associação académica em frente ao Dep. Línguas), grandes noites que lá passei, vinha da praça do peixe à 1.30 da manha só para não apanhar a fila de entrada. Mudem a música que passa no Clube 8 que nos meus primeiros anos na UA era bem melhor.
No entanto a minha vida académica por Aveiro não se resumes às noites, passei 4 anos na Comissão Pedagógica de curso de Engenharia Química e na Comissão de Faina. Quanto à comissão pedagógica de curso posso dizer que é algo bastante enriquecedor, quanto à faina, só tenho a dizer, coitados dos caloiros (as noites que nos divertimos a magicar o que lhes íamos fazer). Claro que fazer parte da comissão de faina exige também muito trabalho e por vezes sujeitarmo-nos a algo não tão interessante, como faltar a jantares de curso do enterro para fazer um delicioso repasto de pizzas e cerveja para tomar conta do carro de curso.
Claro que não podia deixar de fazer uma menção à minha breve passagem pela Tuna Universitária (TUA), que apesar de breve deixou muitas saudades. Foram várias as noites enfiado no Golfinho até as tantas da manhã.
Pós UA
Bem depois de acabar o curso à que enviar currículos, e por acaso lá arranjei uma colocação para um suposto estágio numa empresa de cerâmica na zona de Aveiro onde fiz de tudo, se bem me entendem, mas sempre me permitiu passar mais uns meses em Aveiro.
Depois seguiu-se um contacto Leonardo Da Vinci na Suécia, numa pequena cidade (Karlstad) entre Oslo e Estocolmo. Foi sair do calor para o frio, deixar Portugal com 30 graus e sair de casa no dia seguinte, já na Suécia, com 8 graus. Voltei logo para dentro para vestir camisolas de Inverno. Mas 8 graus até são uma boa temperatura, ainda se podem ver pessoas em calções com essas temperaturas, já a 22 negativos, como lá apanhei, já ninguém anda de calções, pelo menos na rua, porque dentro de casa fazia a vida em t-shirt.
Considero que esta foi uma experiência muito enriquecedora, é um país e uma cultura muito diferente da nossa. Não existe a espontaneidade e alegria típicas do povo latino, as pessoas são muito introspetivas, cada palavra que lhes sai da boca é quase minuciosamente meditada. As condições de trabalho são muito boas, no sitio onde estive, havia 30 minutos para o pequeno almoço, pago pela empresa e dentro do horário laborai, e 2 pausas de 15 min por dia para café (vida Sueca).
Durante a semana é tudo muito pacato, a partir das 6.30 da tarde já quase não se vê ninguém na rua (à excepção dos meses de verão), ao fim de semana, encharcam no álcool (5 euros o fino nos bares, a alternativa é ir à Systembolagget, a loja controlada pelo estado e única autorizada a vender bebidas alcoólicas e muito restritivas). Quase todas as sextas e sábados á noite, a praça central da cidade parecia-me o pavilhão da semana do enterro, no dia do desfile, tal era o comportamento e o número de pessoas cambaleantes pela rua. E agora algo interessante, nas discotecas há muito mais raparigas do que rapazes, lá a men's night é perfeitamente justificável, se houvessem regras a impor idênticas proporções de pessoas do sexo masculinos e feminino dentro de bares ou discos, as mulheres teriam de ficar á porta. Por acaso não tive a oportunidade de ver o sol da meia noite, no verão, na zona onde me encontrava, anoitecia às 23 horas, mas às 2 da manhã já o sol brilhava e a noite nunca era verdadeiramente escura, isto é algo impressionante. O por do sol sobre os lagos é fantástico e além disso demora bem mais de 1 hora. Já durante o Inverno amanhece às 9.30 da manhã e às 14 h já começa a anoitecer. Esta é a fase deprimente do ano para os suecos, é nesta altura que eles se suicidam aos mil.
Durante o período de permanência na Suécia tive oportunidade de viajar por vários sítios, inclusive Noruega e Finlândia. Talvez a viagem mais marcante foi uma das que fiz a serviço para a Stora Enso, na qual me desloquei à Finlândia (Imatra, uma região perto da fronteira com a Rússia) apresentar as conclusões de alguns trabalhos que realizei. Nessa viagem apanhei num só dia 3 aviões, o último era uma coisa minúscula a hélices, com 20 lugares, que não me inspirava segurança nenhuma, valia pela hospedeira de bordo, que era uma verdadeira modelo nórdica. la carregado de "homens de negócios" de varias nacionalidades, todos para a região de Imatra, uma zona com muita indústria. Bem, esta viagem foi a meio de Abril, mas ainda nevava intensamente naquela zona da Finlândia, os meus pés enterravam-se em 50 cm de neve, quanto ao hotel era um antigo palácio do imperador da Rússia, algo brutal, cheio de pessoas de varias nacionalidades. Essa viagem não só valeu a pena pelos conhecimentos e debates muito interessantes sobre a indústria, mas também pelo meu companheiro de viajem, uma pessoa nova, (30 anos) mas com muita experiência internacional. Passou os seus primeiros 5 anos de trabalho a viajar, acompanhava a montagem de fábricas, então já tinha morado em quase todo o mundo, desde Japão, China, em países de África e da América do Sul. Apesar de ser finlandês - em teoria pessoas frias e pouco comunicativas, ele dizia que os longos meses no Brasil lhe tinham moldado a personalidade, e era realmente uma pessoa muito sociável, contava as peripécias que tinha passado por esse mundo fora de uma forma hilariante. Fica aqui um conselho dele, quando forem ao Japão ou á China, comam o que vos põem á frente, mas sem perguntar o que é ou de onde vem.
Um olhar sobre a UA - Experiencia de um Aluno
De novo na realidade portuguesa
A volta a Portugal infelizmente saúda-se pelo envio de muitos CV e recepção de muitas respostas de que não há vagas. Até já me aconteceu fazer mais de 100 km para ir a uma entrevista de emprego e a primeira coisa que me dizem é de que não têm vagas, mas como acharam o currículo interessante queriam-me conhecer. Enfim logo se vê o que por aí vem. E não me alongo mais nesta missiva, para todos os que já andam na UA á algum tempo aproveitem este ano e para os caloiros, bem-vindos à UA e à vida académica.
Alexandre Gaspar
Campus Solidário – Universidade de Aveiro

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